O Parque Olímpico

Compartilhe:

Por Carolina Moncorvo

Fiquei pensando se postava isso no meu Facebook ou aqui no blog, mas é tão ligado ao amor pelo esporte, que preferi alcançar mais gente que meu círculo de amigos.

É algo que eu e a Bia compartilhamos de forma muito parecida – senão igual – mas que com certeza expressaremos de maneira diferente – ela muito melhor.

Quem me conhece minimamente sabe que minha vida inteira foi girada em torno do esporte. Se olharmos mais de perto: em torno da natação; e se nos aproximarmos ainda mais: em torno de disputar uma Olimpíada. Sempre quis fazer parte (mais precisamente desde 2000, quando tive a consciência do que era uma Olimpíada pela primeira vez).

Lembro perfeitamente desde a abertura de Sydney, até os resultados de Thorpe – saudades.

Nessa última semana, pude confirmar parte do que é um Jogos Olímpicos. De um ponto de vista diferente do que sempre sonhei, mas ainda assim mágico.

O fato é que não dá pra expressar por palavras o que é um Parque Olímpico. Não sei dizer se edições olímpicas passadas eram iguais, mas tentarei definir a edição brasileira: eu não queria mais sair de lá.

Milhares de pessoas de todo o mundo lotando um espaço aberto imenso de forma tão colorida, multidões entrando nos estádios, estruturas grandiosas de tirar o fôlego, hinos, cantos de torcida. Não havia espaço para o ócio, com atrações, festas, música, shows, lojas. E esporte, lógico. Nunca tinha assistido ao vivo uma luta de judô e tivemos a sorte de estar presentes justamente no ouro da Rafaela Silva.

Assisti o Brasil vencendo um jogo difícil no handebol masculino, a final dos 100 rasos com o tri do Bolt e até Rugby. Esses dois últimos fora do Parque Olímpico. Perdi outros muitos esportes que amaria ter tido tempo de assistir, mas me joguei na atmosfera olímpica, a ponto de ficar sem voz.

Fiquei apaixonada pelo sanduíche de frango e fiz coleção de copo – perdi uns bons reais com isso. E, claro, estava lá nas finais noturnas da natação.

Vi tudo de perto: levantei ao tocar cada hino, cantei o funk do Thiago, presenciei o tetra do Phelps, vi Kirsty Coventry comemorar a classificação para sua quarta final olímpica dos 200 costas, prova em que é bicampeã; chorei junto com Jeanette Ottesen que conquistou sua primeira medalha em uma prova suada do revezamento, no último dia; vi a primeira negra ganhar um ouro olímpico na natação, tirei foto com Debbie Phelps.

Dormi muito tarde todos os dias, mas acordava cedo no dia seguinte, pra aproveitar tudo de novo.

Mais do que a vivência, o Parque Olímpico me confirmou que tudo o que idealizei no esporte, durante toda a minha vida, existe. Pode ser às vezes abafado por doping, por contratos milionários, por cartolagens… mas existe. Existe no olhar das crianças inspiradas por seus ídolos. O Parque só não é perfeito, pois não tem entrada gratuita, para que qualquer um pudesse vivencia-lo.

O espírito olímpico existe e o vi de perto e espero que essa essência nunca se torne segundo plano. Já estou com saudades da natação, mas o vazio é de algo abstrato: o conjunto disso tudo que é a Olimpíada – na visão do expectador.

Sem título

 

Comentários