O maior espetáculo da Terra

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Esqueçam a estrutura do estádio, a arquibancada, o lindo azul da piscina, os telões de primeiro mundo. Tudo isso é lindo, é colírio para os olhos, impressiona e arrepia. Mas a Olimpíada sempre foi e sempre será sobre eles: os atletas. O resto, por mais maravilhoso que seja, é “apenas” o palco onde eles protagonizam o maior espetáculo da Terra.

Assistir uma Olimpíada é antes de tudo uma provação ao nosso desejo natural por justiça e meritocracia. O pódio é pequeno demais para tantas estrelas, a final é restrita demais para tantas histórias e o tempo teima em não parar; em poucos segundos, o que era expectativa vira passado, o que era previsão vira história escrita e acabada. Uma saída em falso, uma chegada errada, uma braçada a mais ou um adversário que vai melhor e os sonhos se despedaçam no ar.

Ou se realizam. Em um milhão de anos, ainda não inventaram nada melhor do que a sensação de bater na placa, olhar o placar e ver que deu certo. Estar presente para assistir isso acontecendo, série após série, é um privilégio; observar as reações dos atletas, anônimos e campeões olímpicos, e ser testemunha do dia mais feliz de suas vidas é uma honra.

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Há, também, os semideuses. Atletas como Ledecky e Phelps, que desafiam a perfeição física e mental e a quem há pouco o que dizer e muito a aplaudir e admirar. Nessa melhor versão do homem Michael Phelps, redimido, sereno e feliz, nos despedimos de um gênio. Difícil imaginar uma final de borboleta e 200 medley sem ele, o melhor de todos os tempos. A natação nunca mais será a mesma.

Mas confesso que meus olhos estavam mais atraídos pelos meros mortais. Sem o imperativo da TV, que foca a câmera no campeão, fiquei atônita junto com Cate Campbell depois daquele 100 livre insólito, e tocada com a cena de Sarah e Jeanette ajudando a australiana a se levantar.

Missy Franklin, Emily Seebohm, Federica, Fratus, Fran Halsall, Ryan Cochrane: ídolos com quem estamos acostumados a vibrar e assistimos a sucumbir. Não há como descrever a frustação nos olhos de quem fez há pouco um tempo que seria ouro olímpico e precisará esperar mais 4 anos ou, pior, para quem a chance não virá mais. Internamente despedaçados, a eles só restava cumprimentar o adversário que comemorava a seu lado, se levantar e andar para que a próxima série começasse, ao som de música de balada e aplausos para o campeão que, diferente de seus sonhos, não era ele. Cruel.

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Bruno Fratus durante final dos 50 metros livre no OAS. Jogos Olimpicos Rio 2016. 12 de Agosto de 2016, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Foto: Satiro Sodré/SSPress

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Dirigentes, torcida, imprensa, patrocinadores, ninguém sente tanto quanto os atletas, o que não impede que venha a cobrança, as análises, a tentativa de explicação, que muitas vezes não existe. Nossa necessidade de entender se confronta com o que muitas vezes não tem explicação, apenas a dureza do “não saiu”.

Quem mais chega perto de entender a frustração são aqueles que estão juntos até pouco antes do fim mas que, na hora H, só podem torcer. Difícil a posição dos técnicos, que trabalham junto e sonham junto também, mas não podem nadar, e sim ver seus sonhos se materializando ou se quebrando pelas mãos dos outros, os atletas.

Quando as luzes se apagam e o estádio se desmonta, sobra quem realmente está sempre junto. As famílias olímpicas eram um espetáculo a parte. Nada mais justo do que ganharem o primeiro abraço após o pódio aqueles que dão o único abraço quando tudo vai por água abaixo.

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Há ainda a beleza de ver nosso esporte preferido sendo executado com perfeição. Não foram poucos os amigos que me procuraram para dizer que estavam voltando a nadar. A Olimpíada é emoção e também é inspiração.

Os olímpicos nos mostram, ao mesmo tempo, o muito que temos de diferente desses super atletas e aquilo que, humildemente, temos em comum com os homens por trás deles. No último dia de finais, foi lindo ver atletas que não passaram das eliminatórias tirando fotos na piscina, para guardar a recordação do que talvez seja o ponto alto de suas vidas. Ver o revezamento alemão treinando saída de revezamento no final do aquecimento, como em um torneio de petiz. Ver a tantas vezes finalista olímpica Jeanette Ottesen chorando longe dos holofotes, ainda na piscina, depois de conquistar sua primeira medalha olímpica, o bronze no revezamento 4×100 medley. Momentos que nos fazem acreditar, talvez ingenuamente, que às vezes há justiça entre os deuses do olimpo.
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Quando as Olimpíadas começaram, dissemos que essa seria a semana de dormir mal e deixar o resto da vida em segundo plano. Já estou com saudades de dormir às 2 da manhã, trabalhar com olheiras e pagar 8 reais em uma água; se as Olimpíadas são transformadoras para todos os atletas, foram também para nós duas, o ar daquele Estádio Aquático Olímpico acendeu ainda mais uma chama que nunca vai se apagar.

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