Mais um ciclo

Compartilhe:

Por Carolina Monconrvo

Foto de capa: Satiro Sodré

Fora toda a emoção da medalha da Poliana Okimoto hoje – e toda a choradeira – uma coisa me marcou bastante: a entrevista de Ana Marcela Cunha.

Já de volta a São Paulo – ainda com saudade do Parque Olímpico – e acompanhando a prova dos 10 quilômetros feminino infelizmente pela TV, pude ver algumas entrevistas, incluindo da holandesa campeã olímpica.

Muita emoção pra poucas lágrimas – e fico cada vez mais apaixonada pelo esporte e seus paradoxos: assim como gostaria que todos que se esforçaram tanto durante um ciclo olímpico subissem ao pódio, o que faz toda essa dedicação e empenho acontecer é justamente a escassez de medalhas.

Mas voltando ao tema: dentre toda essa emoção e pensamentos, a entrevista de Ana Marcela foi a que mais me tocou. Não a parte que ela pede desculpas ao povo brasileiro, pois ela não deve nada a nós. Nem a que disse não ter tido um resultado digno, pois ela deu seu máximo, com ou sem obstáculos.

O que me marcou foi a frase que finalizou a entrevista: “1439 dias para Tóquio”. Acho lindo e me emociono com essa obstinação, que não teve um segundo sequer de deslize após um resultado não esperado. E me faz refletir sobre mil coisas. Sobre torcedores cornetarem os atletas pelos seus maus resultados, sem fazer sequer ideia do que passaram para estarem ali.

É clichê, mas a maioria das pessoas não consegue absorver isso que parece tão óbvio: ninguém sofre mais com a derrota do que o próprio atleta. Ninguém sofre mais que eles também nos 1438 dias de treino, para no 1439º ir em busca da tão sonhada medalha.

Após uma carreira tão bem-sucedida e precoce, Poliana conseguiu alcançar esse feito com 32 anos. Diego Hypolito com 30 anos. Eles só provam que nunca é tarde e que 1439 dias de treino (somados a todos os outros) valeram a pena.

E valerão a você também, Ana.

Comentários