Cesar Cielo: "quero dar a volta por cima"

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Cesar Cielo comemorou 29 anos no último domingo, dia 10 de janeiro. Com três medalhas olímpicas no currículo – uma delas o primeiro e único ouro da história da natação brasileira nos Jogos -, Cielo chega a 2016 ainda sem ter nadado abaixo do índice para o Rio-2016 na seletiva oficial do país. Em entrevista ao Hoje em Dia, publicada no dia do seu aniversário, Cielo disse que a cabeça e o corpo estão no lugar certo, que está treinando bastante e focado nas Olimpíadas.

Na entrevista, assinada por Felippe Drummond Neto, Cielo disse estar totalmente recuperado da lesão que o tirou do Mundial de Kazan. “Treinando normalmente, sem dor, e focado no Maria Lenk”. Sobre a confiança, falou que está em alta e que está se sentindo bem. “Agora é voltar a conquistar os grandes resultados”. 

Cielo espera que o recorde olímpico do 50 livre, de 21”30, caia nas Olimpíadas do Rio. Perguntado sobre o fato de Gary Hall ter sido o único nadador acima de 28 anos a ganhar a prova em Olimpíadas, Cielo respondeu: “Isso só mostra que é totalmente possível. Se um já conseguiu, porque eu não posso fazer o mesmo?”

Confira abaixo outros trechos da entrevista e clique aqui para ver a reportagem completa

Quis o destino que o melhor ano de sua vida pessoal (com o nascimento de seu filho) também tenha sido o pior ano de sua carreira de nadador. Como encarou isso?
Encarei com naturalidade, como tudo que acontece em minha vida. No esporte a gente tem dois resultados, vitória e derrota, e sabemos que nem sempre as coisas vão ser como a gente quer. Então, é bola pra frente. Estou mesmo muito feliz com minha vida pessoal, mas na profissional quero dar a volta por cima.

Quem você considera seus principais adversários na Olimpíada, levando-se em conta que vai se classificar?
São vários, incluindo alguns brasileiros, como o Matheus Santana, Marcelo Chierighini, Bruno Fratus e o João de Lucca. Fora do país tem o Florent Manaudou (França), James Magnussen (Austrália), Cameron McEvoy (Austrália) e Nathan Adrian (Estados Unidos). Todos têm chances de ganhar na Olimpíada.

Como você lida com as cobranças e com os comentários sobre você?
Tento não ler muita coisa. Acompanho meu próprio Facebook, Twitter e Instagram, apenas. Não fico procurando nada meu na internet, pois sei que muitas vezes não vai me fazer bem. Por isso evito.

Pela expectativa do COB de terminar entre os dez primeiros, a natação brasileira precisa conquistar no mínimo três medalhas. Acha essa meta possível? E quais as provas que você aposta em medalhas brasileiras?
Acredito que vamos conseguir alcançar essa meta. Acho que o revezamento pode conseguir uma medalha; o Thiago (Pereira), a Etiene (Medeiros). Nos 50m livres, a gente pode sonhar até mesmo com uma dobradinha, o Felipe França também tem boas chances. Por isso acho que três medalhas é totalmente palpável.

Apenas um nadador acima dos 28 anos (Gary Hall Jr.) conquistou o ouro olímpico dos 50m livre. Como você, que completa 29, vê essa escrita? Acha que pode fazer o mesmo?
Isso só mostra que é totalmente possível. Se um já conseguiu, porque eu não posso fazer o mesmo?

Você considera que a natação brasileira evoluiu neste ciclo olímpico?
Considero que sim, tanto que temos hoje dois revezamentos muito fortes, o 4X100m medley e o 4x100m livre. Isso mostra que o grupo é muito forte. Não somos mais uma seleção feita por apenas um ou dois atletas. Desde que eu cheguei na seleção, em 2004, melhoramos bastante, e o futuro deve ser ainda melhor, já que todo ano vemos novos atletas surgindo. Acho que esta geração é a mais forte que já tivemos.

Qual será o legado para natação brasileira após a Olimpíada?
Espero que seja um legado de grandes resultados, mas principalmente de grande credibilidade para a natação. Não posso falar dos outros esportes, mas um dos melhores legados que teremos é o profissionalismo que os atletas alcançaram nos últimos anos. Essa geração é muito profissional e muito comprometida. E creio que a medalha virá para coroar tudo isso. Infelizmente, o grande público não tem acesso ao dia a dia, as exigências e os treinamentos, mas posso garantir que é exemplar o trabalho que está sendo feito. E se as próximas gerações seguirem nesse mesmo rumo, nós vamos continuar como potência mundial.

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